Relatos de uma mente perturbada. Será?

 

Após passar todo o efeito do remédio e voltar para casa e ver o que de fato aconteceu, percebi que ainda não tinha acabado, ainda existe uma vontade de acabar com a minha vida, afinal eu não planejei nada disso, eu sempre me imaginei velhinha com uma mesa enorme, uma macarronada a bolonhesa no centro da mesa, meus filhos, nora e genros a volta e eu numa ponta e meu esposo na outra.

É estranho pensar que eu coloquei um fim nesse sonho e eu mesma sofro, é fato aquela frase que diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece… Meu coração está apertado, na minha boca sinto um gosto de ferrugem, nenhuma vontade para nada, nem chorar consigo…

Mas quando eu paro para pensar, eu não coloquei um fim no sonho, o que terminei foi com o abuso, a falta de respeito, a falta de companheirismo, falta de coisas que não fomos um para o outro, Sim, eu reconheço que não fui…

Sou uma mulher mal formada, com muitas questões em aberto, coisas que se acumularam com o tempo e que o meu esposo potencializou todas essas dores e traumas, cada vez que me tratou com grosseria, com falta de respeito, com pouco caso, com exploração, com humilhação…

Tem um tempo que se a gente correr consegue salvar a vida de uma pessoa doente e tem um tempo que não tem mais nada a fazer…E nosso casamento pediu socorro por muitos anos… não socorremos, achamos que eram fazes, que passariam sozinhas.. nos enganamos gravemente.

Chegou um tempo que as feridas causadas pelas coisas feitas a tempos não eram mais possível serem tratadas, pois elas eram profundas.

Cada vez que ele me xingava de imprestável, inútil, até vagabunda, foi causando uma ferida que não curava, eu me sentia acuada na minha própria casa, não havia lugar que eu ficasse que me fizesse esquecer tudo, eu pedi socorro, eu procurei tratamento, mas não existe tratamento para lidar com o que ele queria de mim..

Foi uma difícil caminhada até aqui, eu nem acreditava que eu chegaria tão longe, foi um milagre, mas tudo tem um fim…

Eu cheguei a um nível de desespero tão grande que tomei a pior atitude de todas e imaginei que poderia tirar minha vida, mas por influência divina e um pouco de fraqueza minha, não foi possível concluir… Hoje depois de sentir o gosto de quase morte, eu vejo que fui leviana com a vida, e desrespeitosa com Deus, com quem ainda não tive coragem de falar após o acorrido.

Não sei como vou virar a página nem se vou superar, é muito mais que sentimentos..

Dizer que será fácil? Não será, mas vou tentar pensar que em algum momento disso tudo eu recebi uma nova chance….

E que Deus me perdoe!

 

 

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