Conteúdo

Carga burocrática e carga tributária

3 MIN. DE LEITURA

O governo eleito para o quadriênio 2007 terá que enfrentar dois problemas sérios para poder permitir que o Brasil volte à estrada de uma nação emergente viável, a saber: o peso da carga burocrática, no dizer de Alencar Burti, e o peso da carga tributária.

Quando se fala no país em reforma tributária para corrigir os problemas para o desenvolvimento, percebe-se a pobreza fantástica de soluções, quase todas elas objetivando aumentar ainda mais o peso dos tributos.

Ocorre que a Federação brasileira não cabe dentro do PIB. As esclerosadas estruturas burocráticas multiplicadas por mais de 5.500 entidades federativas (União, estados, DF e municípios) sugam todos os recursos nacionais.

Não sem razão, por ordem do crescimento ocorrido em 2005, na América Latina, a Venezuela foi a 1ª, com 9% (o petróleo corrige qualquer erro); a Argentina a segunda, com mais de 8%; Chile, Peru, Uruguai ficaram em torno de 6%; a média da América do Sul foi de 5%; da América Latina e de Cuba, 4,3%; Colômbia 4%; Bolívia 3,8%; México e América Central mais de 3%; Brasil menos de 2,5% e Haiti 1,5% (Fonte Cepal).

Por outro lado, o mundo deverá progredir 4,9%, em 2006, e o Brasil, 3,2% (fonte: “The Economist”).

Quanto aos tributos (fonte: “The Economist”), o Brasil, para uma renda per capita pouco superior a 2.500 dólares, é o de mais alta carga tributária, visto que a Polônia e Hungria, paises em que ela é  pouco superior, ostentam uma renda de quase 5.000 dólares. Os demais, Israel, Itália, Canadá, França, Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca, Reino Unido e Alemanha, têm renda per capita que varia entre 16.500 e 35.000 dólares, estando a média em torno de 43% (variação entre 37% no Canadá e Alemanha, e 52% na Suécia).

O Japão, que tem renda per capita de 23.000 dólares, apresenta uma carga de 21% e os Estados Unidos, com a renda per capita de 33.000 dólares,  de 30%. Vale dizer, as duas maiores economias do mundo têm, respectivamente, 21% e 30% de carga tributária contra os 36% do Brasil.

Ocorre que o peso destes tributos diluem-se, na esclerosadíssima  máquina administrativa que multiplica as exigências para qualquer cidadão, obrigando-o a ingressar, de madrugada, em filas para obter senhas, a fim de ser atendido pela burocracia brasileira. Além disso, qualquer empresa brasileira leva mais de 100 dias para ser criada; quando, na China, cria-se uma empresa em menos de uma semana.

À evidência, com este quadro dantesco de alta carga tributária, o país necessariamente cresce pouco e pode crescer ainda menos, no próximo quadriênio, em que as perspectivas da economia mundial não são tão favoráveis.

Tudo isto preocupa, pois começa o Brasil a ser ultrapassado por muitos países emergentes e a ser considerado uma nação retrógrada, desfeitos os sonhos de grande potência.

O governo, portanto, no novo quadriênio, terá que pensar em diminuir o peso dos tributos e o peso da máquina, a começar pelo tamanho desta, pois, sem reduzi-la, qualquer reforma tributária tornar-se-á inviável.

E, para que isto seja possível, é necessário cortar as despesas, e tornar eficiente o estamento estatal, como começa a ocorrer em outros países.

Caso contrário, dias ainda piores virão, com mais tributos, mais exigências burocráticas, menos desenvolvimento e mais desemprego.

Edição
Edição 75
– outubro 2006
Categorias
Sem categoria
Sobre o autor
Ives Gandra da Silva Martins
Relacionados
Do mesmo autor
Sem categoria
Ives Gandra da Silva Martins
Sem categoria
Ives Gandra da Silva Martins
Sem categoria
Ives Gandra da Silva Martins