O Ministro do Supremo Gilmar Mendes © Marcos Oliveira /Agência Senado
A decisão de Mendes determina que o Ministério da Saúde terá 30 dias para realizar mudanças que garantam o acesso igualitário, como a modificação do sistema de informação do SUS para que as consultas e exames sejam efetivadas levando em conta a autodeclaração de gênero. Da mesma forma, a declaração de Nascido Vivo, primeiro documento de identificação de um recém-nascido, passará a oferecer a categoria “parturiente”, referindo-se a quem acabou de parir, como decisão que reserva o direito dos pais à autodeclaração, garantindo a formulação de políticas públicas inclusivas e acesso igual aos programas de saúde.
Congresso brasileiro “tingido” com as cores da bandeira trans © CC
“Esse atendimento personalizado deve ser realizado, por exemplo, a uma pessoa que retificou o registro civil para refletir a sua identidade de gênero com um nome masculino, mas que possui útero. Neste caso, se essa pessoa deseja engravidar, deve ter direito ao atendimento com médico obstetra, bem como a um pré-natal adequado”, afirmou o ministro, lembrando que o contexto da crise sanitária mundial imposta pela pandemia determina a necessidade urgente de derrubar burocracias pra garantir o direito à vida.
Prédio STF em Brasília © Wikimedia Commons
“Da mesma maneira, uma pessoa que retificou o registro civil para refletir a sua identidade de gênero com um nome feminino, mas possui órgãos do sistema reprodutor masculino, deve ter direito ao atendimento de médico urologista, por exemplo”, concluiu Mendes. A decisão foi tomada individualmente pelo juiz do supremo. Publicação original: hypeness