Assumir a Presidência da AASP – Associação dos Advogados significa dar continuidade a uma história construída há 82 anos com forte compromisso institucional, profundo respeito às prerrogativas e dedicação permanente à advocacia brasileira. Ao mesmo tempo, é reconhecer que vivemos um período de transformações aceleradas, que exige, das entidades representativas, capacidade de adaptação, inovação constante em produtos e serviços e uma visão estratégica voltada ao futuro da profissão.
Nessa transição de gestões, reafirmamos um princípio central: a defesa intransigente dos direitos de advogadas e advogados e do Estado Democrático de Direito. Instituições de classe sólidas são essenciais para garantir atuação profissional livre e tecnicamente qualificada, especialmente em um país que ainda enfrenta desafios democráticos e desigualdades no acesso à justiça.
A AASP tem contribuído, de forma decisiva, por meio da atuação institucional, do diálogo permanente com os Poderes e, sobretudo, da oferta de soluções tecnológicas modernas que sustentam o exercício profissional com segurança, economia de tempo e excelência técnica.
Nos últimos anos, a Associação consolidou processos de governança, avançou em iniciativas ESG e ampliou mecanismos de inclusão social, racial e de gênero. Essa agenda ganhou consistência com a chegada e o protagonismo da Jovem Advocacia, que fortaleceu nossa cultura de inovação, trouxe novos olhares e impulsionou transformações em ritmo condizente com as mudanças do mundo jurídico.
A diversidade deixou de ser pauta aspiracional para se tornar política institucional, refletida em estatuto mais inclusivo, maior representatividade em eventos, cursos e publicações e programas como o PPI, que amplia o acesso ao conhecimento e ao desenvolvimento profissional. Pela primeira vez na história da nossa casa, uma mulher tem o privilégio de suceder outra mulher, mostrando o compromisso real da Associação com a representatividade de gênero e inclusão real de todas as pessoas.
O compromisso com a presença nacional tornou-se eixo estruturante para garantir que nenhuma região do país esteja distante das oportunidades oferecidas pela AASP. As parcerias com Seccionais e Subseções da OAB, universidades e entidades representativas ampliaram nossa capilaridade e permitiram que profissionais de todos os estados tivessem acesso às mesmas soluções tecnológicas, à mesma qualidade de ensino e ao mesmo repertório técnico. A presença nacional não é apenas territorial: é instrumento de inclusão e nivelamento das oportunidades de atuação.
Essa construção só é possível porque entendemos que o associativismo é força viva. Uma Associação não se faz apenas de serviços, mas de comunidades que compartilham conhecimento, enfrentam desafios em conjunto e ampliam possibilidades de atuação profissional. A advocacia brasileira precisa de instituições que acolham, representem e impulsionem quem exerce função constitucional essencial – e a AASP tem assumido esse papel com determinação histórica e contemporânea.
A AASP celebrou, por exemplo, importante vitória institucional com a decisão unânime do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que reconheceu a plena constitucionalidade do § 3o do art. 82 do Código de Processo Civil, introduzido pela Lei no 15.109/2025, assegurando o diferimento do pagamento das custas processuais em ações de cobrança de honorários advocatícios, a serem recolhidas apenas ao final por quem der causa à demanda. Atuando como amicus curiae, a AASP teve papel decisivo na construção desse entendimento, contribuindo com fundamentos técnicos e jurídicos que fortaleceram o debate e resultaram em uma decisão alinhada à defesa das prerrogativas profissionais, à eficiência do sistema de Justiça e à superação de barreiras desproporcionais ao exercício da advocacia.
Outro exemplo: em julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade no 0014087-24.2024.8.26.0000, a AASP foi admitida como amicus curiae e o TJSP rejeitou, por maioria, o incidente que questionava o
§ 8o-A do art. 85 do CPC, incluído pela Lei
no 14.365/2022. O Tribunal reconheceu a constitucionalidade do dispositivo, afirmando que ele não cria norma vinculante, mas apenas orienta o julgador na fixação equitativa dos honorários. Fixou-se a tese de que a observância da Tabela da OAB ou do percentual mínimo legal constitui faculdade do juiz, preservando a independência do Poder Judiciário.
No campo da inovação, o avanço é contínuo. A inteligência artificial passou a integrar produtos e serviços, oferecendo eficiência, personalização e ganho de escala. O sistema de intimações da AASP, por exemplo, tornou-se um dos mais eficientes do país ao relacionar jurisprudência, doutrina e cursos, transformando o trabalho cotidiano. Soluções como o AASP Assinador, o sistema de cálculos judiciais, os legal coworkings e as unidades móveis ampliam as possibilidades de atuação em qualquer lugar do Brasil, democratizando tecnologia e tornando acessíveis serviços antes concentrados nos grandes centros.
Além de aprimorar o que já existia, novos serviços seguem em desenvolvimento, como a plataforma de provas digitais, o AASP Verifica. A inovação deixou de ser apenas atributo tecnológico para se tornar modo de pensar, orientar decisões e projetar o futuro institucional.
O ensino jurídico permanece como compromisso estruturante, sempre conectado à modernização e às exigências contemporâneas da prática profissional. Cursos, simpósios, congressos e pós-graduações reforçam nossa responsabilidade com a qualificação permanente da advocacia. Plataformas digitais como o AASP Talks e o AASP Replay ampliaram o alcance da produção técnica, democratizando o conhecimento e aproximando a classe das principais tendências e debates jurídicos.
A agenda ESG avançou com iniciativas de sustentabilidade, monitoramento ambiental, investimentos em energia e responsabilidade social. Em 2024, por exemplo, a AASP iniciou a mensuração de forma voluntária de suas emissões de carbono, considerando eventos, unidades físicas, deslocamentos e atividades institucionais. O resultado indicou mais de 260 toneladas de CO₂ emitidas, volume que foi integralmente compensado em 2025 com ações ambientais certificadas.
A equivalência aproximada representa cerca de 1.820 árvores necessárias para compensação, reafirmando a responsabilidade ambiental da Associação. Essas ações incorporam valores essenciais para uma entidade moderna, alinhada à Agenda 2030, aos ODS e à construção de instituições mais transparentes, plurais e comprometidas com seu impacto social.
Todas essas entregas fazem parte de uma visão institucional que honra o legado de oito décadas, sem abrir mão de olhar para o futuro. A continuidade desse trabalho exigirá escuta ativa, participação da classe, fortalecimento de parcerias e o compromisso coletivo de valorizar o associativismo como instrumento de mudança real. Em um mundo jurídico mais digital, mais diverso e mais complexo, instituições como a AASP seguem essenciais para garantir segurança, qualidade e independência à atuação profissional.
Este é o início de uma gestão que honra o passado, reconhece as conquistas recentes e assume o desafio de corresponder às demandas de um novo tempo. A AASP seguirá atuando para que a advocacia brasileira continue forte, respeitada e protagonista na defesa do Estado Democrático de Direito, sempre com a certeza de que a força do associativismo potencializa a advocacia.
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