O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu, na quarta-feira (21/12), um Grupo de Trabalho formado por magistrados, defensores públicos, membros do Ministério Público, especialistas em segurança, antropólogos e membros de Universidades e de entidades públicas e privadas da esfera de direitos humanos, para estudar e formalizar programas e ações que reduzam a letalidade em ações policiais. A decisão atende determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (APDF) n. 635, sob relatoria do ministro Edson Fachin, oficiada na corte pelos índices letais em operações policiais.
O grupo terá prazo de 30 dias corridos, a contar de sua instalação, para fazer uma avaliação detalhada sobre o Plano de Redução de Letalidade Policial apresentado pelo Estado do Rio de Janeiro. Caso entendam necessário, os integrantes do GT poderão sugerir adequações para que as ações cumpram não apenas a decisão do Supremo, mas também as orientações da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Participam do GT os membros do CNJ, conselheiros João Paulo Schoucair, que coordenará os trabalhos, e Marcio Luiz Coelho de Freitas. Os juízes auxiliares da presidência Karen Luise Vilanova Batista, João Felipe Menezes Lopes e Edinaldo Cesar Santos Junior também fazem parte do grupo, juntos ao antropólogo Luiz Eduardo Bento de Mello Soares; o sociólogo Renato Sérgio de Lima (FGV e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública); a socióloga Samira Bueno; membros da Anistia Internacional, e da Comissão Arns. Jacqueline Sinhoretto, da Universidade Federal de São Carlos, e Márcio Rosa e Alberto Winogron, advogados, junto a representantes das Polícias Civil, Militar e Federal também comporão o grupo que, ao longo do trabalho, poderá convidar outros especialistas de entidades públicas ou privadas.
Além de determinar a criação de um GT sobre Polícia Cidadã no Observatório de Direitos Humanos do Poder Judiciário no CNJ, a decisão do STF pede esclarecimentos ao Estado do Rio frente às medidas cautelares concedidas anteriormente voltadas à redução da letalidade nessas ações; as medidas concretas que o Estado vem implementando para cumprir o Plano de Redução de Letalidade Policial, e questiona o Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o que esta instituição tem feito para fiscalizar esse cumprimento.
Grupo de Trabalho do CNJ atuará para apoiar na redução da letalidade em operações policiais
Policial Militar. Foto: André Borges/Agência Brasília.